Minha filho de 5 anos já namora! Ninguém mandou ter uma filha tão bonita! Será que eles vão casar? Leva um presente de dia dos namorados na escola! Parece uma brincadeira inocente, mas não é. Estimular uma criança a namorar – ainda que seja só na imaginação – não é nem um pouco recomendado. 

 

E por que todo mundo resolveu falar disso agora?

 

Você já deve ter visto essa discussão por aí, principalmente nas redes sociais. Não é por acaso. No início de abril de 2017, a Secretária de Assistência Social do estado do Amazonas lançou a campanha “Criança não namora. Nem de brincadeira”, contra a erotização precoce de crianças. A iniciativa foi compartilhada nas redes sociais para conscientizar pais e responsáveis da região, mas ganhou proporções nacionais: em poucos dias, a publicação bateu 500 mil compartilhamentos e resultou num debate gigantesco! Pouco antes, um texto da blogueira Danny Santos, sobre o assunto, também viralizou.

 

Quais os riscos de incentivar o namoro entre crianças?

 

Tudo no desenvolvimento da criança tem seu tempo. Estimular precocemente a sexualidade ou o namoro na infância, através de qualquer conteúdo, produto ou veículo de comunicação, significa expor a criança a coisas para as quais ela não tem estrutura psíquica, e avançar o sinal vermelho. “Os danos podem ser muito grandes, já que não há maturidade para lidar com todas as emoções, hormônios e pressões sociais envolvidas”, afirma Pamela Greco, pedagoga que atualmente atua com primeira infância em Toronto, no Canadá.

 

É fato: criança não tem discernimento pra saber o que é namoro. A ideia de causa confusão nela, que ainda está aprendendo o que é amizade, e cultivando as primeiras relações fora do núcleo familiar. Para uma criança, não existe namoro, mas uma amizade forte, o coleguinha de quem gosta mais – e esse gostar é puro, ingênuo, de amizade. É natural, por exemplo, que a criança sinta repulsa em relação a beijos entre adultos – e isso é saudável; sinal de que precisa amadurecer biologicamente e psicologicamente para compreender o relacionamento adulto. Portanto, nada de transferir o significado do namoro adulto para o universo infantil!

 

E o que fazer se meu filho ou filha vier com essa conversa de namoro?

É preciso ter em mente: criança não namora: se relaciona com amigos. Isso sempre foi e será amizade. E nós precisamos proteger as crianças de tudo que as afasta do que é próprio para a sua idade, seja conversas, “brincadeiras” sobre namoro ou conteúdos na TV. Família e educadores precisam estar atentos. E, segundo Pamela, dialogar sobre tudo isso, quando surgir o assunto naturalmente na infância, é o melhor caminho para amparar a construção do amor próprio, do respeito a si e ao outro e a melhor forma de dar espaço para o caminho natural.

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