Muito antes de aprender a amarrar o tênis, a nadar e até mesmo tomar banho sozinho (não estou falando de ir “pro chuveiro”, mas sim, lavar-se de verdade) dominam, como poucos adultos, todos os aparatos tecnológicos, tenham sido estes lançados há anos, dias e até horas. Logo, o sonho de consumo das novas gerações transformou-se em um celular, aquele “aparelhinho” pra chamar de SEU, com direito inclusive, a uma infinidade de capinhas e acessórios que movimentam loucamente este novo mercado. Pois então e afinal, qual a idade certa para o primeiro celular?

A resposta é simples: quando ele for necessário. Não podemos dizer que uma criança precisa de um celular porque gosta de ouvir músicas, assistir a filmes, jogar ou tirar foto. Para cada uma dessas necessidades existem outras maneiras de suprir.

Muitas crianças passam o dia todo fora de casa, circulando além da escola e se existe um meio de comunicação capaz de facilitar o acompanhamento desta rotina pelos pais, por que não adotar? Faz todo sentido!

Ensinando seu filho a usar o celular de forma responsável

E se a criança está pronta para receber o seu primeiro smartphone é também chegada a hora dos adultos de casa apresentarem algumas regrinhas bem importantes para, inclusive, garantir a segurança e bem estar dos pequenos, tais como:

  • Não tire fotos das pessoas, tampouco compartilhe sem sua autorização;
  • Não use a imagem ou situação de uma pessoa para ridicularizá-la;
  • Não baixe aplicativos não indicados para sua idade;
  • Nunca estabeleça qualquer tipo de contato com pessoas que não conhece pessoalmente;
  • Não torne o aparelho uma parte do seu corpo, usando a todo momento;
  • Não compartilhar sua senha com ninguém (exceto seus pais, é claro);
  • Siga as regras estabelecidas pela escola quanto ao uso do celular, entre outras.  

Segundo pesquisa da TIC KIDS da CETIC.BR, crianças de 09 a 17 anos, recebem as instruções de não fazer compras online e não dar informações pessoais em hipótese alguma, mas podem postar vídeos ou fotos na internet e usar redes sociais mesmo se estiverem sem supervisão. 

Estes e outros “combinados” podem ser estabelecidos por meio de um contratinho, inclusive, elaborado a “quatro mãos”. Por que não? Como exemplo e a título de sugestão (afinal, cada família tem a sua rotina) seguem dois modelinhos para inspirar você a desenvolver o seu. Um sobre o uso do celular e outro sobre navegar na web.  

Uma nova rotina

Importante que pais e/ou responsáveis reflitam e considerem as demandas que a nova rotina passará a exigir, já que acompanhar a vida digital da garotada faz, também, parte de seu papel. Segundo a legislação civil brasileira, aos pais cumpre o dever de criar e dirigir a educação dos filhos e, educar, como bem sabemos, vai muito além de sustentar.

Quanto mais inseridos no universo digital, mais vulneráveis aos riscos de acesso a conteúdo inapropriado ou violento, a interações com pessoas mal intencionadas, além da própria dependência em jogos online e no uso do aparelhinho em si. Contudo, vale ressaltar que nem todo risco gera prejuízo, assim como nem toda oportunidade, benefício, cabendo a nós, adultos, o dever de diminuir os riscos e direcionar o uso das novas tecnologias para as oportunidades, que diga-se de passagem, são muitas!

Tão importante quanto firmar um “combinado” com a criança, é dar o devido significado a ele e a tudo que nele está previsto. Uma sugestão de bate-papo:

“Com canais de comunicação online, como os chats de games, redes sociais, pessoas más podem se fazer passar por crianças da mesma idade que você ou até mesmo de um parente distante, artistas de TV, só para ganhar sua confiança e conseguir uma aproximação, por isso nunca converse com estranhos na internet”.

“Muito tempo na frente das telas pode comprometer a sua visão, assim como ficar conectado ao celular antes de dormir pode prejudicar a qualidade do seu sono, seu crescimento e até sua concentração”.

Fazer a criança compreender e refletir sobre os cuidados necessários para o uso seguro e consciente do celular é fundamental. Importante também, é acompanhar, se tudo o que combinaram está sendo cumprido e orientar quando necessário. Mas como acompanhar tudo que a criança faz com o celular ao longo do dia numa rotina corrida?

Por isso, a mesma tecnologia que traz oportunidades, riscos, benefícios, prejuízos, também traz ferramentas que contribuem para este novo e importante papel das famílias. São os chamados softwares de controle parental, que nada mais são que ferramentas auxiliares para segurança de crianças.

Mas são apenas auxiliares, daí a importância de dar significado às regras. Com a ajuda dessas ferramentas é possível verificar e gerenciar a forma como sua criança usa o celular, assim como limitar o tempo de uso, estabelecer um determinado horário para utilização, bloquear o acesso a sites e conteúdos considerados inadequados, controlar o uso das redes sociais, jogos, programas e até mesmo impedir downloads, quando necessário.

Naturalmente, não dá para esperar que uma criança, apesar de sua destreza com a tecnologia, disponha de maturidade o suficiente para entender e escapar das “armadilhas” do mundo digital.

Você sabia, por exemplo, que é possível configurar o celular de sua criança para evitar a possibilidade de compras não intencionais? Você poderá configurar o dispositivo para exigir senhas para compras ou, se preferir, desativar totalmente a opção de realizá-las.

E para terminar, faço a pergunta que procuro me fazer todos os dias: que tipo de pai/mãe o(a) seu(sua) filho(a) vê quando te observa?

 Advogada, Diretora Executiva da Nethics Educação Digital, diretora do Departamento de Segurança da Fiesp, onde coordena a frente de Educação e Cidadania Digital, coautora do livro Educação Digital e Coordenadora do Manual de Boas Práticas para Uso Seguro das Redes Sociais da OAB/SP.

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