Quanta habilidade… Você precisa ver como seus dedinhos são ligeiros no celular! Como pode, tão pequena e tão esperta? Pois é, não estamos falando de crianças com superpoderes, mas de uma geração que não conheceu a vida sem tudo isso, aliás, que sequer consegue imaginar como ela seria com uma televisão com apenas cinco ou seis canais, que meia-noite encerrava as programações, sem telefone celular, sem games, redes sociais e tantas outras opções de entretenimento, que hoje as novas tecnologias oferecem.

Para essas crianças mega habilidosas a internet e todos os demais avanços da tecnologia representam sinônimos de puro entretenimento. Mas, nós adultos, sabemos que para tirar o melhor e mais seguro proveito desses incríveis avanços, é preciso, antes de qualquer coisa, estar ciente dos riscos a que estamos sujeitos, pois, somente quando os conhecemos, podemos estabelecer as medidas certas para acabar com eles.

Ao falarmos de crianças, seres em pleno desenvolvimento, aos pais têm o dever de manterem-se informados para orientar e proteger as crianças. Não é preciso dominar, mas procurar saber o que atrai sua criança neste universo, como funciona, o que propõe determinado jogo ou aplicativo, se é indicado para sua idade, se propicia interação com estranhos, com quem ela joga, se coleta informações a seu respeito, se acessa as fotos armazenadas em seu dispositivo, se os vídeos que assiste são construtivos ou instigam comportamentos agressivos ou que colocam sua saúde ou vida em risco etc.

 

Senhas

Quer ver uma coisa comum que poucos pais se dão conta e, consequentemente, a maioria das crianças ignora? Senha. As crianças criam senhas fáceis e, não bastasse, as compartilham com os amigos. Importante que a criança saiba, desde cedo, que sua senha representa sua identidade na internet e que, com exceção de seus pais, não deve ser compartilhada com ninguém.

Sabemos que a internet nos proporciona experiências incríveis e inúmeras opções de entretenimento, além de acessibilidades extremamente úteis, contudo, assim como na vida off-line, tem seus devaneios e se nós, adultos, muitas vezes caímos em armadilhas de engenharia social, por que crianças, desprovidas de discernimento, não cairiam.

Assim, para evitar que sejam vítimas de pedófilos, sequestradores, devemos alertar as crianças que na internet qualquer um pode se fazer passar por qualquer um, adultos e pessoas más podem se fazer passar por crianças da mesma idade, artistas, etc. só para ganhar sua confiança. Daí a importância de nunca interagir com quem não conhece pessoalmente, na internet e evitar compartilhar informações sensíveis e que dizem muito sobre a rotina, onde estuda, costuma passar as férias, onde os pais trabalham, etc.

O poder de disseminação e perpetuidade de um conteúdo na internet nos faz refletir e instigar nossas crianças à reflexão de que conteúdo digital não tem devolução e que, portanto, não nos confere o direito de arrepender-nos. Logo, é preciso sempre pensar antes de postar qualquer coisa na internet. Idem com relação às imagens que captura de e com amigos, assim como comentários ofensivos que registra na internet. A raiva passou ou era só uma brincadeira, pouco importa, a ofensa praticada na ou por meio da internet ficará registrada pra sempre.

Configuração de privacidade

Outra dica muito importante é com relação à realização das respectivas configurações de privacidade e segurança, não somente dos dispositivos, mas, sobretudo das aplicações e ferramentas que a criança utiliza. Legal criar um processo automático de providencia. Ganhou celular novo? Primeira coisa, configurar. Baixou um aplicativo novo? Primeira coisa, configurar.

Enfim, tão importante e fundamental quanto a orientação e o acompanhamento dos adultos, é estimular a criança para o exercício do pensamento crítico, habilidade essencial para este novo século, que não somente a protegerá, mas a fará incrivelmente se beneficiar.

Alessandra Borelli

Advogada, Diretora Executiva da Nethics Educação Digital, diretora do Departamento de Segurança da Fiesp, onde coordena a frente de Educação e Cidadania Digital, coautora do livro Educação Digital e Coordenadora do Manual de Boas Práticas para Uso Seguro das Redes Sociais da OAB/SP.

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