Muitos pais se assustam quando o filho pede uma boneca ou a filha demonstra interesse por bolas ou carrinho. Essa inquietação normalmente acontece porque, para o adulto que já tem enraizadas questões de gênero, essas escolhas vão além da simples brincadeira e acreditam que elas envolvem a sexualidade da criança. O que não corresponde à realidade.

Idealmente, quando a criança mostra interesse por determinado objeto que supostamente não seria para o seu sexo, os pais devem permitir que ela brinque, pois ela está apenas descobrindo e explorando algo novo e isso faz parte do seu desenvolvimento natural. Os pais devem  evitar autorizar ou proibir brincadeiras baseados na ideia de ser “coisas de menina ou coisas de menino”. Para a criança aquilo é somente uma brincadeira e se perceber que chama atenção ou então não conseguir sanar a sua curiosidade, pode até ficar mais instigada com aquilo.

A função dos pais é a de permitir que a criança viva e explore a infância, afinal um objeto socialmente identificado com o outro gênero é apenas um conceito presente unicamente na cabeça dos adultos e não das crianças.

Brinquedo sem gênero

Meninos brincarem de boneca e meninas de carrinho não causa nenhuma influência em relação a sua sexualidade. Brinquedo não tem gênero e não é o tipo de brinquedo ou cor da roupa que irá determinar a natureza sexual da criança.

Os pais devem se manter neutros nos interesses dos filhos e sempre incentivar a criança a explorar e diversificar, sem forçar ou impor escolhas. Claro que é importante ir além dos interesses dos pequeno, para ampliar seu repertório de conhecimentos e oportunidades, mas é preciso tomar cuidado para que essas expectativas sociais não limitem as escolhas das crianças.

O fato das meninas logo brincarem de boneca e os meninos de carrinho está mais diretamente ligado a questões culturais. O incentivo desde cedo com cores, brinquedo, materiais e atividades e as próprias as vivências nas quais observam mulheres desenvolvendo determinados papéis e homens outros, além de normalmente terem seus interesses e curiosidades por coisas que são socialmente designada como do outro gênero inibidos.

Entre as próprias crianças existe a tendência de separação de papéis por gênero. Mesmo em uma brincadeira de casinha, por exemplo, se um menino participa, ele receberá um papel socialmente determinado como “masculino como o pai, o irmão.

Além disso, papai também cuida de criança não é mesmo? Mamãe também gosta de carro, dirige, usa roupas azuis, certo? Então não há razão para relacionar os interesses dos pequenos por objetos e cores socialmente determinadas do outro gênero a questões de identidade sexual.

Larissa Fonseca, (Neuro)Pedagoga, Psicopedagoga, especialista no Universo do Brincar, em Psicanálise e Educação e em Comportamento e Desenvolvimento Infantil. Escritora do Livro “Dúvidas de Mãe” e Criadora do DVD bilíngue “A Turma do Sapo Frog em uma aventura Musical”. 

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